Quem escreve aqui

Gerard Blom

Nasci em Roterdão, em 1978. A minha infância foi passada entre o porto industrial e os subúrbios verdes que ainda existiam na altura. O meu pai trabalhava nos estaleiros navais. A minha mãe era professora primária. Tínhamos uma casa pequena com um jardim nos fundos onde a minha mãe cultivava tomates e ervas aromáticas.

Quando era pequeno, passava horas a observar o meu pai a consertar coisas. Ele não era engenheiro, mas sabia como funcionavam as coisas. Ensinou-me a ter paciência com os objetos. A não deitar fora algo só porque estava partido. A tentar perceber como se arranjava.

Aos dezoito anos fui para a universidade estudar design gráfico. Não porque soubesse exatamente o que queria fazer, mas porque gostava de desenhar e de organizar coisas visualmente. Depois da licenciatura, trabalhei em várias agências em Roterdão e depois em Amesterdão. Eram anos de projetos, prazos, clientes e reuniões. Eu gostava do trabalho. Gostava de resolver problemas visuais. Mas, com o tempo, comecei a sentir que o ritmo estava a comer-me por dentro.

A primeira viagem a Portugal

Em 2021, no meio da pandemia, decidi tirar um mês de férias. Não tinha planos. Apenas queria sair de casa. Escolhi Portugal porque um colega tinha falado bem do Alentejo. Comprei um bilhete para Lisboa e aluguei um carro.

Não sabia o que esperar. Tinha visto fotografias de praias e de azulejos, mas não fazia ideia de como soava o país, como cheirava, como as pessoas se moviam.

Depois de alguns dias em Lisboa, fui para o Alentejo. Aluguei uma casa pequena numa aldeia perto de Évora. A casa tinha paredes grossas, chão de cimento e uma varanda com vista para campos de oliveiras. Não havia internet fiável. O telemóvel mal funcionava.

Nos primeiros dias senti-me inquieto. Não sabia o que fazer sem agenda. Acordava, tomava café, sentava-me na varanda e não sabia para onde olhar. Depois de alguns dias, comecei a andar. Caminhava pelas estradas de terra, parava para olhar para as oliveiras, sentava-me em muros de pedra.

Uma tarde, numa pequena mercearia da aldeia, comprei uma garrafa de azeite e um pão. A mulher que me atendeu perguntou se eu era turista. Disse que sim. Ela sorriu e disse que, se quisesse, podia ver como faziam o azeite na cooperativa local. Fui. Vi as máquinas, vi as azeitonas a serem prensadas, vi o azeite a sair. Foi uma das coisas mais bonitas que já vi.

O que mudou

Quando regressei a Amesterdão, tudo parecia mais ruidoso e mais rápido do que antes. Continuei a trabalhar, mas comecei a planear uma mudança. Não uma mudança radical. Apenas uma forma de dividir o tempo.

Em 2022 aluguei uma casa pequena no norte de Portugal, perto de uma cidade média. Não vendi a casa em Roterdão. Apenas dividi o tempo. Seis meses aqui, seis meses lá. Depois, com o tempo, passei a ficar mais tempo em Portugal.

O que me fez ficar não foi uma revelação. Foi a soma de pequenas coisas. O mercado. As conversas com as pessoas que vendem. A forma como a luz muda ao longo do dia. O facto de poder caminhar sem destino e descobrir coisas. O facto de poder cozinhar com ingredientes que ainda têm terra agarrada.

Não vim para Portugal para "encontrar paz" ou para "viver melhor". Vim porque, quando estava aqui, sentia que o tempo passava de outra forma. E gostei disso.

O que faço agora

Continuo a trabalhar em design, mas de forma diferente. Faço menos projetos. Escolho os que me interessam. Trabalho a partir de casa, com a janela aberta. Quando preciso de concentração, fecho a porta da sala e desligo o telemóvel.

Tenho um pequeno jardim nos fundos da casa. Plantei alecrim, tomilho, salsa e uma oliveira pequena. Não sou jardineiro. Aprendo à medida que as plantas crescem. Algumas morrem. Outras sobrevivem. É uma forma de estar presente sem fazer nada de especial.

Escrevo neste espaço quando me apetece. Não tenho calendário editorial. Não tenho metas de publicação. Escrevo quando sinto que tenho algo para registar. Às vezes passo semanas sem escrever. Outras vezes escrevo várias vezes na mesma semana.

Por que este espaço existe

Este site não é um projeto profissional. Não é uma marca. Não é uma forma de vender nada. É apenas um sítio onde guardo as minhas observações.

Espero que, se alguém o ler, sinta que não está a ser vendido nada. Que não há lições para aprender. Que não há promessas. Apenas o que um homem de 48 anos, que divide a vida entre dois países, anota quando presta atenção ao que o rodeia.

Se isto for útil para alguém, que seja. Se não for, também está bem. O caderno continua a existir mesmo que ninguém o leia.

Obrigado por ler.

— Gerard

Detalhes

Nascido: 1978, Roterdão

Residência atual: Portugal (norte) e Países Baixos

Profissão: Designer gráfico

Interesses: Mercados locais, caminhadas sem destino, cozinha simples, luz natural

O que não faço

Não dou conselhos de vida. Não prometo transformações. Não vendo produtos. Não tenho newsletter. Não tenho redes sociais associadas a este espaço.